A carne, o corvo, o osso.

Somos todos um punhado de carne em processo continuo de podridão.
Cobrindo a ossada, carnes de cores e cheiros diferentes.
Cada cor e cheiro gritam juntos, ao mesmo tempo, dicotomia.
Escutem, escutem os gritos que se desprendem dos pedaços espalhados de carne.
O grito fétido da arrogância, do egoísmo, o preconceito coberto de moscas, o orgulho, a prepotência, a inveja. O grito covarde do medo, o verde da raiva, o amarelo do ciúme, mentiras, mentiras de todos tamanhos, cheiros e conveniências.
O osso é limpo. O corvo come cada pedaço de carne, o corvo digere e transmuta a carne, mas não o osso. O osso o corvo não come, o osso é o que há por baixo de tudo, o tudo que resta, nada está entre o osso e a verdade, a verdade é o osso.
A caveira é a Alethea e a Alethea é o oposto da carne.

Perséfone

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