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A feitiçaria funciona criando ao redor de si um espaço físico/psíquico ou aberturas para um espaço de expressão sem barreiras – a metamorfose do lugar cotidiano numa esfera angelical. Isso envolve a manipulação de símbolos (que também são coisas) e de pessoas (que também são simbólicas) – os arquétipos fornecem um vocabulário para esse processo e, portanto, são tratados ao mesmo tempo como reais e irreais, como as palavras. Ioga da Imagem.

O feiticeiro é um Autêntico Realista: o mundo é real – mas a consciência também o deve ser, já que seus efeitos são tão tangíveis. Um obtuso acha que até mesmo o vinho não tem gosto, mas o feiticeiro pode se embriagar simplesmente olhando para a água. A qualidade da percepção define o mundo do inebriamento – mas, sustentá-lo e expandi-lo, para incluir os outros, exige um certo tipo de atividade – feitiçaria.

A feitiçaria não infringe nenhuma lei da natureza porque não existe nenhuma Lei Natural, apenas a espontaneidade da natura naturans, o Tao. A feitiçaria viola as leis que procuram deter seu fluxo – padres, reis, hierofantes, místicos, cientistas e vendedores consideram a feitiçaria uma inimiga porque ela representa uma ameaça ao poder de suas charadas e à resistência de sua teia ilusória.

Um poema pode agir como um feitiço e vice-versa – mas a feitiçaria recusa-se a ser uma metáfora para uma mera literatura – ela insiste que os símbolos devem provocar incidentes assim como epifanias particulares. Não é uma crítica, mas um refazer. Ela rejeita toda escatologia e metafísica da remoção, tudo que é apenas nostalgia turva e futurismo estridente, em favor de um paroxismo ou captura da presença.

Incenso e cristal, adaga e espada, cetro, túnicas, rum, charutos, velas, ervas como sonhos secos – o garoto virgem com olhar fixo num pote de tinta – vinho e haxixe, carne, iantras e rituais de prazer, o jardim de huris e sagüis – o feiticeiro escala essas serpentes e escadas até o momento totalmente saturado por sua própria cor, em que montanhas são montanhas e árvores são árvores, em que o corpo torna-se eternidade e o amado torna-se vastidão.

– Hakim Bey

Como Viver Onze Dias em Vinte e Quatro Horas

por Robert Anton Wilson

Já faz quase um ano que tenho datado todas as minhas cartas com meu próprio calendário multicultural. Obviamente, eu sei que uma cronologia multicultural parece algo muito Politicamente Correta, mas não deixe que isto te apavore. O fato é que eu concordo com o culto PC sobre muitas coisas. Na verdade, eu só discordo deles pelo fato de não gostar de sua intolerância, de suas táticas fascistas, de sua introdução da lavagem cerebral maoísta em nossa Academia, de sua absoluta falta de senso de humor ou senso comum mediano. Fora isto, eu quase aprovo as idéias PC.

Para ser sincero, eu comecei a usar um calendário único e não-Ocidental por volta de 1969-71, enquanto escrevia “Illuminatus!” com Bob Shea. Eu me dei conta que o calendário Gregoriano, o sistema padrão do ocidente, data tudo a partir do alegado nascimento de um super-herói de quadrinhos que eu considerava fictício. Ele supostamente tinha uma mãe virgem, um pai que era um pombo, e curava os cegos jogando sujeira em seus olhos. Você pode entender o porquê de minhas dúvidas.

Mas datar tudo a la Papa Gregório não apenas nos condiciona subliminarmente à mitologia do Vaticano, mas também divide artificialmente a história escrita em sua metade, criando uma certa visão torta sobre como as coisas atualmente andaram desde os tempos do neolítico.

Por exemplo: no calendário Gregoriano, a primeira dinastia Egípcia iniciou-se em cerca de 3400 “A.C.”, a fundação de Roma foi em 509 “A.C.” e a indicação do grande javali Pigasus para a presidência dos EUA se deu em 1968 “D.C.”. Tentar escapar da armadilha papista usando A.E.C ( antes da era comum/cristã) e E.C. (era comum/cristã) não ajuda muito. Nós continuamos trancados na realidade-túnel romana.

Efeitos colateriais ainda piores do calendário Gregoriano surgem quando você tenta imaginar o período de tempo abarcado nas datas que acabamos de mencionar. Isto requerer pensamento profundo, boa imaginação histórica e ainda, para aqueles tão perto da senilidade quanto eu, possivelmente rascunhos em papel. No calendário Illuminati, entretanto, estes eventos encontram seu lugar em uma única linha de tempo: a primeira dinastia egípcia inicia por volta de 600 A.L., a fundação de Roma acontece em 3491 A.L. e a apoteose de Pigasus se dá em 5968 A.L. (A.L., como na Maçonaria, significa Anno Lumina — ano de luz). Adicione mais algumas datas (Hassan-i-Sabbah se iluminou em 5092 A.L., os índios americanos descobriram Colombo em 5492 A.L., a Declaração de Independência dos EUA foi assinada em 5776 A.L., Noble Dew Ali nasceu em 1886 A.L.) e a História começa a fazer sentido como uma única seqüência organizada, e não quebrada na metade.

A cronologia Illuminati (ano um A.L., ou 4000 A.C. Gregoriano) começa com o nascimento de Hung Mung, o antigo Caoísta (pré-Taoísta), filósofo chinês que respondia à qualquer pergunta gritando “Eu não sei! Eu não sei!” o mais alto que podia. Assim, o sistema começa com uma data por volta da aurora da civilização e da escrita, e nos permite ver toda a história como uma sequência única, não interrompida por uma mudança brusca feita para comemorar o deus de um único culto esdrúxulo.

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Atualizações discordianas

YO! Saudações discordianas Para celebrar a o início da estação da Burocracia, venho,  por meio desde, divulgar algumas ferramentas discordianas existentes por esse mundão sem fim da internet. para usuarios linux tem o discordian combo! um amontoado de inutilidades para…

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sincronicidades fnordicas

Precisamos aprender a arte de fazer com que coisas altamente improváveis passem a ter grande probabilidade de acontecer. A arte da criação de pontos de singularidades. O fato de eu estar em vários locais ao mesmo tempo pode me tornar um bom instrumento para se brincar com a sincronicidade. Sim! Timóteo Pinto pode ser o Grande Atrator nos sistemas caóticos que gostamos tanto de brincar.
Parando um pouco de viajar e começando a pensar,
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