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duende@divagacoes.org

A Torre

 

Feche os olhos e desperta!

 

Como estão todos vocês? Como sempre, espero que bem.

O tema hoje é sério ou fútil, complicado ou simples: talvez ganhemos leitores, ou percamos alguns. Acredito que será um post longo, mas espero que meus amigos leitor, leitora e leitore, já estejam acostumados com isso.

Hoje vou falar sobre algo que alguns chamam de Despertar. Despertar não se faz com um ritual, não é um feitiço, ou qualquer coisa do gênero mas, um processo. Não é um súbito entendimento – não é uma iluminação – mas uma crescente pessoal a qual todos estão aptos, poucos chegam lá e alguns se perdem no caminho.

 

Porém apesar de se tratar de um processo existe um momento crucial, um ponto sem volta: Quando você se encontra a beira do abismo e tem que dar o seu salto de fé ou ser engolido por ele. É o momento em que a sua torre desaba.

 O nome dessa torre poderia ser lucidez, talvez o termo sanidade fosse mais próximo, porém pode dar uma idéia errada – de certa forma não é uma desconexão da realidade como nosso lunático habitual, mas a percepção de que ela é maior do que prevíamos.  A loucura passa a ser uma amiga íntima, inseparável, no sentido que nunca mais voltamos a ver o mundo com aqueles mesmos olhos: Por mais que eventualmente nos questionemos – o que é um sinal saudável – a visão geral não costuma mudar.

 

Existem entretanto algumas questões a se considerar: A trilha do desperto é um caminho de solidão – e você pensou que era de amor? – no sentindo em que, embora despertar não crie eremitas em florestas, o convívio social permanece, é necessário entender que os caminhos são individuais – e ao menos na minha experiência, acredito que duas pessoas nunca trilham o mesmo caminho.

 Por mais que alguns encontrem semelhanças entre suas visões de mundo – ou de mundos – ainda assim permanecem as diferenças, não adianta esperar que sejam iguais, nunca serão.

 

Mas existe um mito em que todos devem trilhar o mesmo caminho: todos devem amar, todos devem fazer isso, todos devem fazer aquilo; Existe a vontade de uniformizar – Mas deveríamos pensar: Onde este caminho leva? E é pra lá que devo ir ou quero chegar?

 

Mas MagoImago, vc está assassinando a caridade? Destruindo a crença no amor universal?  Lavando suas mãos explicando porque não ajudar os outros?

 Não é uma questão de destruir caridade ou não querer ajudar o próximo, mas existe a necessidade da consciência do que se faz. Que ajudar alguém não é impor sua visão – e uma imposição pode dar-se de formas sutis também – mas dar a possibilidade do questionamento e do “self-searching / self-finding”. 

 

O jovem perguntou: Gostaria muito de saber por que razão os seres humanos guerreiam-se e por que não conseguem entender-se, por mais que apregoem estar buscando a Paz e o entendimento, por mais que apregoem o Amor e por mais que afirmem abominar o Ódio. 

 

A razão – na forma como eu vejo – é simples, porque ao invés de entender o seu próprio caminho, passa-se a aceitar idéias e impô-las, ou “apregoá-las” aos outros. Quando percebermos que os indivíduos são – pasmem – indivíduos, únicos e aceitarmos que cada um faça por SI aquilo que acha apropriado, não precisaremos de 7 níveis de seres humanos, de Mãos dadas em volta da fogueira cantando Kumbaya my lord kumbaya.

 Mas essa é uma torre que por mais que caia, alguns sempre se prenderão às suas ruínas.

 

Perceber que seu caminho é único é algo muito poderoso e avassalador – ter coragem de seguir em frente é algo difícil… mas o resultado de se chegar onde se quer chegar – seja isso onde for – deve valer o esforço. 

 

Dois então são os aspectos contraditórios do Desperto: A Solidão de seu caminho e a Companhia da Loucura. Ambas nascem da mesma percepção do mundo – uma para dentro e a outra vem de fora.

 

Acredite se quiser….

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