A carne, o corvo, o osso.

Somos todos um punhado de carne em processo continuo de podridão.
Cobrindo a ossada, carnes de cores e cheiros diferentes.
Cada cor e cheiro gritam juntos, ao mesmo tempo, dicotomia.
Escutem, escutem os gritos que se desprendem dos pedaços espalhados de carne.
O grito fétido da arrogância, do egoísmo, o preconceito coberto de moscas, o orgulho, a prepotência, a inveja. O grito covarde do medo, o verde da raiva, o amarelo do ciúme, mentiras, mentiras de todos tamanhos, cheiros e conveniências.
O osso é limpo. O corvo come cada pedaço de carne, o corvo digere e transmuta a carne, mas não o osso. O osso o corvo não come, o osso é o que há por baixo de tudo, o tudo que resta, nada está entre o osso e a verdade, a verdade é o osso.
A caveira é a Alethea e a Alethea é o oposto da carne.

Perséfone

Realidade ou Ficção?

Se a vida é ilusão para o hinduísmo, para o budismo, e desta forma os mestres herméticos o afirmam, o que será então a realidade? E, igualmente, o que será esta ficção? Se o homem é estrangeiro nesta terra, e como tal vive ao começar um trabalho interno alheio aos outros, qual é o critério de “verdade” ou “mentira”? Que soleira sutil se transpassa entre uma forma de ver e a outra? Pois, embora o que se considere mais estranho no homem contemporâneo (do qual somos ainda parte) é sua maneira de se aferrar e se identificar com as coisas, aqueles que se permitem esta atitude interna ou extraterrestre são considerados igualmente estranhos para o meio. Ao se abrir uma porta e dar um passo à frente, as coisas estarão banhadas de uma outra luz e de um outro conteúdo. Se fecharmos essa porta e dermos um passo para trás, essas mesmas coisas aparecerão familiares em seu nível rasante e cotidiano. Realidade ou ficção? Continue lendo “Realidade ou Ficção?”