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	<title>Divagações &#187; Deuses</title>
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		<title>OM SRI GANESHAYA NAMAH</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Sep 2011 09:09:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Duende</dc:creator>
				<category><![CDATA[Deuses]]></category>
		<category><![CDATA[ganesh]]></category>
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		<description><![CDATA[Ganesh, Removedor de obstáculos, seus principais simbolos e significados.
Este é um post pioneiro.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_184" class="wp-caption alignright" style="width: 160px"><a href="http://www.divagacoes.org/wp-content/uploads/2009/01/ganesh-full.jpg"><img title="Lord Ganesha" src="http://www.divagacoes.org/wp-content/uploads/2009/01/ganesh-full.jpg" alt="Lord Ganesha" width="150" height="211" /></a><p class="wp-caption-text">Lord Ganesha</p></div>
<p>&#8220;Please do not offer <em>my god</em> a <em>peanut</em>.&#8221;-<em>Apu</em></p>
<p><strong>Lord Ganesha o Removedor de Obstaculos e Deus do Conhecimento</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ao olharmos a imagem de Ganesha, semideus hindu, devemos procurar compreender a simbologia que ele representa, ou seja, a evolução do homem no caminho da divindade. Os hindus foram os que mais desenvolveram a arte do simbolismo sem o qual as estórias se transformam em absurdos sem sentido.</p>
<p>Segundo o mito, Ganesha é filho de Shiva (representante na trindade divina da destruição e da regeneração) e foi gerado por Parvati (sua esposa) para que ele impedisse a entrada de qualquer um dentro de sua casa, sempre que Shiva se encontrasse em meditação no Himalaia. Como esses períodos de meditação duravam milênios, quando Shiva retornou, não foi reconhecido por Ganesha que não deixou que ele entrasse em casa.<span id="more-14"></span></p>
<p>Após longo combate, Shiva cortou a cabeça do filho com seu tridente. Neste momento, Parvati se aproximou e, revoltada, resolveu se afastar da existência. Shiva assustou-se porque Parvati representava a matéria, parte fundamental da criação, e propôs que faria qualquer coisa para reabilitar-se perante ela. Parvati exigiu então que Ganesha, dali em diante, fosse venerado antes de qualquer ritual. Shiva ordenou a seus guardas que lhe trouxessem a cabeça do primeiro animal que encontrassem na floresta. Ao entregarem a cabeça de um elefante, Shiva fez com que Ganesha revivesse.</p>
<p>Simbolicamente o elefante é bastante propício para demonstrar o caminho da evolução do homem na busca da espiritualidade e da imortalidade.</p>
<p>O cortar a cabeça simboliza cortar as velhas idéias em busca de novos valores. As orelhas grandes do animal representam a capacidade de escutar o conhecimento, condição básica de um sábio. Sua enorme cabeça reflete a possibilidade de analisar este conhecimento. A tromba representa a discriminação entre o sutil e o mais grosseiro, a diferenciação entre o mundo material e o transcendental, pois, com ela, o elefante é capaz de arrancar uma árvore ou pegar um pequeno objeto.</p>
<p>Uma de suas presas quebradas demonstra a imperfeição e o fato de já ter superado a luta dos opostos, tão presente na vida do homem, a dialética do bem e do mal, da alegria e da tristeza, da vida e da morte. A barriga grande indica que Ganesha já digeriu o conhecimento e os obstáculos. Por isso ele é conhecido como o removedor de obstáculos. Afinal, o maior entrave do homem é sua ignorância.</p>
<p>Ele também tem sempre um dos pés levantados e o outro no chão, pois ao sábio é necessária a elevação, mas sem perder a humanidade. Aos seus pés sempre há um rato, símbolo de descontrole e da voracidade, que muitas vezes lhe serve de montaria, significando a capacidade do homem de dominar seus desejos, pois o verdadeiro sábio também tem desejos, porém eles estão sob seu controle.</p>
<p>A machadinha em suas mãos não pode ser esquecida, pois simboliza não só o desapego, mas também a capacidade de fazer justiça. Afinal de contas, ele é filho de Shiva (representante da destruição e da regeneração na trindade hindu) e irmão de Kartikeya (semi-deus da guerra).¹</p>
<p>A mão superior esquerda leva um laço e ou um lotus &#8211; Com o laço ele prende a atenção na verdade, na realidade suprema, ou seja no Eu absoluto. O Lotus é a natureza pura, absoluta e imaculada.</p>
<p>A mão inferior direita abençoa com Abhãya Mudrã &#8211; Estra mudrã abençoa com prosperidade e destemor. Freqüentemente encontramos um <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Japamala">Japa-mala</a>, mostrando que esta prosperidade está na forma de Japa (repetição de um mantra) a mais eficaz técnica de preparação da mente.</p>
<p>A mão inferior esquerda oferece Modaka &#8211; Modaka é um doce de leite e arroz tostado que representa a satisfação, a plenitude que se alcança com um caminho de disciplina e auto conhecimento.</p>
<p>Seu mantra é o OM SRI GANESHAYA NAMAH e recitando vc muda seu estado vibracional com isso você se prepara para a remoção de obstaculos, sucesso e tudo mais ja dito.</p>
<p>Sendo o removedor de obstáculos prestar reverência a Lord Ganesha é querer começar qualquer tipo de trabalho com o pé direito. E eu vou nessa trilha tbm.</p>
<p>Ps: por seu aspecto iniciador seu numero é o 9.</p>
<p>OM SRI GANESHAYA NAMAH!</p>
<address>fonte: <a href="http://www.ganesha.jor.br/deus.html">http://www.ganesha.jor.br/deus.html</a> <a href="http://www.yogalotus.com.br/ganesha.htm">http://www.yogalotus.com.br/ganesha.htm</a></address>
<address> </address>
<p>outra versão do mito.</p>
<h2>A história de Ganesha<a href="http://www.divagacoes.org/wp-content/uploads/2010/09/shiva_parvati_ganesha.jpg"><img style="float: right;" src="http://www.divagacoes.org/wp-content/uploads/2010/09/shiva_parvati_ganesha.jpg" alt="Ganesha, Shiva e Parvati" width="150" height="180" /></a></h2>
<p>Ganesha pertence à família dos deuses mais populares do Hinduísmo. Ele é o primogênito de Shiva e Parvati. Shiva é a terceira pessoa da trindade hindu. É o Deus da renovação, destrói para construir algo novo (transformação). Ele é o criador da Yoga. Parvati é a filha dos Himalayas. Deusa da beleza, mãe bondosa e mulher devotada. Shiva tem alma aventureira e adora viajar montado em sua vaca branca Nandi. Infelizmente, os lugares que ele mais gosta são as montanhas inacessíveis e perigosas. Adora também os crematórios, mas sua paixão é a meditação e a Yoga. Quando pratica a Yoga, nem mesmo um terremoto o perturba.</p>
<p>Por algum tempo depois de seu casamento com a bela Parvati, vivendo em um bangalô no Himalaya, longe da civilização, Shiva começava a sentir falta de suas viagens; foi quando Parvati, já desconfiada, pergunta-lhe:<br />
— Shiva, por que não viaja por uns tempos? Não sente saudades dos seus companheiros?<br />
— É que quando estou perto de você, não sinto falta de nada. E, na verdade, todos os meus companheiros estão em torno da casa, eles nunca se afastam de mim. Eu não quero assustá-la, mas todos os fantasmas, demônios e gnomos, apesar de estarem invisíveis e quietos, estão presentes. Espero apenas que não peça para mandá-los embora, pois são como crianças e sabem o quanto lhe amo.<br />
— Claro que não Shiva, podem ficar. Mas e a sua meditação? Ela era sua maior ocupação.<br />
Shiva, no fundo, sabia que ela estava certa e que tinha muita saudade das montanhas, onde sentava para meditar. E sabia que fora pela meditação que conseguiu se transformar em um Deus tão poderoso. Shiva então, depois de uma longa conversa, decidiu sair para meditar. Feliz, coloca sua pele de tigre na cintura, enrola suas cobras favoritas no pescoço, apanha seu tridente e sai montado em sua vaca, Nandi, seguido de seus estranhos companheiros. Mas não podemos nos esquecer de que quando Shiva medita, é impossível despertá-lo. E foi isso que aconteceu. Muito tempo se passou quando, finalmente, Shiva levantou-se da posição de lótus, lembrou-se de sua Parvati e correu de volta para ela. Nesse ínterim, Parvati transformara aquela simples choupana num lugar muito confortável e bonito. E não ficou sozinha por muito tempo. Shiva não sabia, mas a tinha deixado grávida. E, no tempo certo, deu à luz um lindo bebê, Ganapati. Os anos passaram-se, o deus bebê cresceu e se transformou num rapazinho muito inteligente. Numa manhã de primavera, Parvati estava tomando banho enquanto Ganapati se mantinha perto do portão, aguardando sua mãe. Nesse instante, um homem alto, com cabelos longos, um monte de cobras enroladas em seu pescoço e vestido com uma pele de tigre e uma aparência selvagem, aproxima-se do portão.<br />
Shiva parou e olhou com estranheza para o bangalô. “Será que esta casa linda era mesmo a sua? E quem seria aquele rapaz parado no portão?”<br />
— Deixe-me entrar! — disse Shiva, impaciente e descortês.<br />
— Não — respondeu Ganapati — você não pode entrar!<br />
Empurrando o rapaz para o lado, Shiva atravessou o jardim e foi direto para casa. Ganapati sabia que sua mãe estava tomando banho, e aquele homem rude não poderia entrar em sua casa. Ele correu e se postou à porta, de espada em punho. Pobre menino! Que hora mais infeliz para provocar a ira do pai! E Shiva, nesse momento, perdeu completamente as estribeiras, e seu terceiro olho, o do poder, apareceu no meio de sua testa, brilhando como fogo, e em segundos o corpo do rapaz jazia sem cabeça no chão. Ouvindo vozes e gritos, Parvati apressou-se e saiu correndo do banho. Ao abrir a porta, viu horrorizada o corpo do filho estendido sem cabeça; e em sua frente, o marido, que há tanto se fazia ausente. Shiva corre para abraçá-la; e ela, desviando-se do abraço, chora amargamente.<br />
— Mas o que você fez? O que você fez? — Ela repetia, torcendo as mãos em desespero. — Este era o seu filho, e você o destruiu!<br />
Só então Shiva caiu em si e se entristeceu de verdade. Logo tentou confortá-la:<br />
— Nosso filho é um Deus; portanto, não pode estar morto. Encontra-se apenas desmaiado. Mas Parvati não queria ouvir nada daquilo e lhe disse:<br />
— Você o destruiu! De que serve um Deus sem cabeça?<br />
Shiva tentou da melhor forma que podia dizer-lhe que não tinha feito nenhum mal ao rapaz. Parvati insistia com Shiva para que ele colocasse a cabeça de seu filho no lugar, mas Shiva dizia que não podia desfazer o que já estava feito. E Parvati chorava muito… Então Shiva teve uma idéia: capturar o primeiro animal que encontrasse e tirar sua cabeça para colocá-la sobre os ombros de seu filho. Foi quando encontrou um elefantinho bebê, tirou sua cabeça e a colocou em Ganapati; e naquele momento, o nome do rapaz passou a ser Ganesha. Parvati tentou de diversas formas mudar o acontecido e pedia para outros Deuses que dessem ao seu filho uma cabeça decente.<br />
Então os deuses pediram à linda Parvati que secasse suas lágrimas e tudo se resolveria. Brahma, que adora as crianças, Vishnu e Indra pediram a Parvati que perdoasse Shiva, pois ele não sabia o que estava fazendo e deixaram bem claro que Ganesha não perderia nada com isso. Apesar de não ser mais tão atraente, todos o reconheceriam pela sua bondade e o amariam pelo que ele era. Brahma prosseguiu:<br />
— Ganesha será o Deus da sabedoria, será o Escrivão dos céus e o Deus da literatura.<br />
Acrescenta, Vishnu: — Será o Deus que removerá todos os obstáculos, e será para Ganesha que todos rezarão em primeiro lugar, antes de invocar qualquer outro Deus. Será o Deus que sorrirá com boa fortuna para todas as novas empresas.<br />
E foi assim que tudo aconteceu…</p>
<p>A Simbologia do deus Ganesha</p>
<p>Ganesha significa “Senhor de Todos os Seres”. É filho do Senhor Shiva, a “Realidade Suprema”, e de Parvati, a “Mãe do Cosmo”. Seus sinais sobre a testa representam as três dimensões: a região inferior, a Terra e o Paraíso. Suas orelhas simbolizam a grande sapiência da educação espiritual. Seus olhos enxergam além da dualidade, o espírito de Deus em cada um. Sua tromba indica capacidade intelectiva. Suas presas representam os mundos material e espiritual, negativo e positivo, Yin e Yang, forte e fraco. Sua enorme barriga indica capacidade de “ingerir” qualquer experiência, representando também a abundância. Seus braços representam os quatro atributos do ser: mente, corpo, intelecto e consciência. Em sua mão direita (acima), carrega uma machadinha, que decepa os apegos do mundo material; na outra (abaixo), o sinal do OM, que abençoa com prosperidade e destemor; na mão esquerda (acima), o laço significa a fertilidade, a própria natureza; na outra (abaixo), gadu, um doce feito de grão-de-bico com açúcar granulado ou doce-de-leite com arroz, que representa a satisfação e a plenitude do conhecimento. O rato significa que devemos ser astutos e diligentes em nossas ações. A serpente é o símbolo da energia física, guardiã dos segredos da Terra. Assim, Ganesha é o Mestre do Conhecimento, da Inteligência e da Sapiência. É aquele que proporciona a potência espiritual e a inteligência suprema. É o grande Removedor dos obstáculos, Guardião da Riqueza, da Beleza, da Saúde, do Sucesso, da Prosperidade, da Graça, da Compaixão, da Força e do Equilíbrio.</p>
<p>GANESHA SHARANAN, SHARANAN GANESHA<br />
GANESHA SHARANAN, SHARANAN GANESHA</p>
<p>Por Wagner Veneziani Costa<br />
<a href="http://www.madras.com.br/">http://www.madras.com.br</a></p>
<address> </address>
<p>Este é um post pioneiro.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Crônicas de Nárnia, a explicação de Aslan</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Dec 2009 19:30:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Duende</dc:creator>
				<category><![CDATA[Deuses]]></category>
		<category><![CDATA[C.S. Lewis]]></category>

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		<description><![CDATA[– Ó  reais guerreiros,  e  também vós, gentis  senhoras,  cuja  beleza  ilumina  o  universo!  –  começou o calormano. – Sabei que sou Emeth, o  sétimo  filho  de  Harpha  Tarcaã,  da  cidade  de  Tashbaan,  situada  no Ocidente,  além  do  deserto.  Cheguei a Nárnia recentemente, junto com nove e  mais  outros  vinte  calormanos,  comandados  por  Rishda Tarcaã. [...]
Este é um post pioneiro.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>– Ó  reais guerreiros,  e  também vós, gentis  senhoras,  cuja  beleza  ilumina  o  universo!  –  começou o calormano. – Sabei que sou Emeth, o  sétimo  filho  de  Harpha  Tarcaã,  da  cidade  de  Tashbaan,  situada  no Ocidente,  além  do  deserto.  Cheguei a Nárnia recentemente, junto com nove e  mais  outros  vinte  calormanos,  comandados  por  Rishda Tarcaã. Assim que  soube que deveríamos  marchar contra Nárnia, enchi-me de regozijo, pois  já ouvira falar muitas coisas sobre a vossa  terra e  grande  era  o  meu  desejo  de  encontrar-vos  em  batalha. Mas  quando  descobri  que  deveríamos  ir  disfarçados  de  mercadores  (o  que  é  um  vergonhoso  traje  para  um  guerreiro  e  filho  de  tarcaã)  e  agir  usando mentiras  e  artifícios,  então  todo  o  gozo  me  abandonou.  O  pior  foi  quando  descobri que estaríamos a serviço de um macaco.   E  quando  começaram  a  dizer  que Tash  e Aslam  eram  um  só,  então  o  mundo  se  escureceu  aos  meus olhos, pois desde criança eu servira a Tash,  e meu grande desejo era  saber mais  sobre ele,  se  possível  encontrá-lo  face  a  face.  O  nome  de  Aslam, porém, era detestável aos meus ouvidos.</p>
<p>–  Então,  como  vistes,  noite  após  noite  éramos  todos convocados a reunir-nos do  lado de  fora  daquela  cabana  de  palha,  e  acendia-se  a  fogueira, e o macaco  tirava da  cabana uma  coisa  de  quatro  pernas  que  eu  nunca  conseguia  ver  direito.  Aí  todos,  inclusive  os  animais,  inclinavam-se  e  prestavam  homenagem  àquilo.  Eu,  porém,  pensava:  “O  tarcaã  está  sendo  ludibriado pelo macaco, pois aquela coisa que sai  do  estábulo  não  é  Tash  nem  deus  algum.” Mas  quando,  certa  vez,  olhei  para  o  rosto  do  tarcaã,  prestando atenção a cada palavra que ele dizia ao  macaco, mudei  de  idéia,  pois  percebi  claramente  que  nem  ele  próprio  acreditava  em  tudo  aquilo.  Foi então que compreendi que ele não acreditava  em  Tash,  pois,  do  contrário,  como  ousaria  escarnecer dele?<span id="more-736"></span></p>
<p>– Quando me dei conta disso, fui tomado de  uma  fúria  imensa  e  me  perguntei  por  que  o  verdadeiro  Tash  não  mandava  cair  fogo  do  céu  para destruir  tanto o macaco quanto o  tarcaã. No  entanto, escondi minha ira, controlei minha língua  e resolvi esperar para ver como tudo acabaria. Na  noite passada, porém, como alguns de vós devem  saber,  o macaco,  em  vez  de  exibir  aquela  coisa  amarela,  disse  que  todos  que  quisessem  ver  Tashlam  (pois,  a  essa  altura,  eles  já  haviam  juntado  os  dois  nomes  para  fingir  que  os  dois  eram um só) deveriam entrar um a um na palhoça.  Então  disse  para  mim  mesmo:  “Sem  dúvida  alguma, aí vem uma nova decepção.” Mas depois  que  o  gato  entrou  na  cabana  e  saiu  apavorado,  pensei:  “Com  certeza o verdadeiro Tash,  a quem  chamaram sem conhecer nem acreditar, veio para  o  meio  de  nós  e  agora  vai  se  vingar.”  Embora,  dentro  de  mim,  meu  coração  estivesse  derretido  de temor perante a grandeza de Tash, ainda assim  o desejo de vê-lo  era mais  forte. Então,  com um  esforço  tremendo  para  não  deixar  que  meus  joelhos  tremessem ou que meus dentes batessem,  decidi  encarar  Tash  face  a  face, mesmo  que  ele  me  matasse.  Assim,  ofereci-me  para  entrar  no  estábulo. E o tarcaã, mesmo contra a vontade, me  permitiu entrar.</p>
<p>– Assim que passei por aquela porta, minha  primeira  surpresa  foi  que me  encontrei  no meio  dessa  grande  claridade,  ainda  que,  visto  do  lado  de  fora,  o  interior  da  cabana  parecesse  completamente  escuro.  Nem  tive  tempo  de  maravilhar-me  com  isso, pois no mesmo  instante  me  vi  forçado  a  lutar  contra  um  dos  nossos  próprios  homens  para  defender  a  minha  vida.  Assim que o vi, percebi que o macaco e o tarcaã o  haviam colocado ali para matar qualquer um que  entrasse e que não estivesse a par de seus planos.  Esse  homem,  portanto,  devia  ser  um  outro  mentiroso,  um  trapaceiro,  e  não  um  verdadeiro  servo  de  Tash.  Por  isso  eu  o  enfrentei  com  o  maior prazer. E, após matar o vilão, atirei-o para trás de mim, porta afora.</p>
<p>– Depois  olhei  à minha  volta  e  vi  o  céu  e  toda  esta  amplidão  e  aspirei  o  aroma  da  terra.  Então  disse:  “Por  todos  os  deuses,  que  lugar  agradável! Devo  ter chegado ao país de Tash.” E  comecei  a  percorrer  esta  estranha  terra,  procurando por ele.</p>
<p><a href="http://www.divagacoes.org/wp-content/uploads/2009/12/aslan.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-739" src="http://www.divagacoes.org/wp-content/uploads/2009/12/aslan.jpg" alt="aslan" width="288" height="288" /></a>– Passei por muita grama e muitas  flores e  encontrei  saudáveis  e deleitosas  árvores de  todos  os  tipos, até que, em um  lugarzinho estreito entre  dois  rochedos, avistei vindo ao meu encontro um  enorme Leão. Tinha a velocidade do avestruz e o  tamanho do elefante; sua cabeleira era como ouro  puro  e  o  brilho  de  seu  olhar  como  ouro  quando  arde  na  fornalha.  Era  mais  temível  que  a  Montanha  Ardente  de  Lagur,  e  sua  beleza  superava tudo que há no mundo, mesmo a rosa em  botão cuja beleza supera a areia do deserto. Então  prostrei-me  aos  seus  pés,  pensando:  “Esta  é  certamente  a  hora  da minha morte,  pois  o  Leão  (que  é  digno  de  toda  a  honra)  bem  saberá  que,  durante toda a minha vida, tenho servido a Tash e  não  a  ele.  No  entanto,  melhor  é  ver  o  Leão  e  depois morrer do que ser Tisroc do mundo inteiro  e viver sem nunca havê-lo encontrado.” Porém, o  glorioso ser inclinou a cabeça dourada e me tocou  a  testa  com  a  língua,  dizendo:  “<span style="color: #ff9900"><strong>Filho,  sê  bem- vindo!</strong></span>” Mas  eu  repliquei:  “<strong>Ai  de mim,  Senhor!  Não  sou  filho  teu, mas,  sim, um  servo de Tash!</strong>”  “<strong><span style="color: #ff9900">Criança</span></strong>”, continuou ele, “<span style="color: #ff9900"><strong>todo o serviço que tens  prestado  a  Tash,  eu  o  considero  como  serviço  prestado  a  mim.</strong></span>”  Então,  tão  grande  era  o  meu  anseio por sabedoria e conhecimento, que venci o  temor e resolvi  indagar o glorioso ser: “<strong>Senhor, é  verdade,  então,  como  disse  o  macaco,  que  tu  e  Tash sois um só?</strong>” O Leão deu um rugido tão forte  que a terra tremeu (sua ira, porém, não era contra  mim), dizendo:  “<span style="color: #ff9900"><strong>É mentira! Não porque  ele  e  eu  sejamos  um,  mas  por  sermos  o  oposto  um  do  outro  é  que  tomo  para mim  os  serviços  que  tens  prestado a ele. Pois eu e ele somos tão diferentes,  que nenhum serviço que seja vil pode ser prestado  a mim, e nada que não seja vil pode ser feito para  ele. Portanto,  se qualquer homem  jurar em nome  de  Tash  e  guardar  o  juramento  por  amor  a  sua  palavra, na verdade  jurou em meu nome, mesmo  sem  saber,  e  eu  é  que  o  recompensarei.  E  se  algum homem cometer alguma crueldade em meu  nome,  então,  embora  tenha  pronunciado  o  nome  de Aslam,  é  a  Tash  que  está  servindo,  e  é  Tash  quem  aceita  suas  obras. Compreendes  isto,  filho  meu?</strong></span>” Eu respondi: “<strong>Senhor, tu sabes o quanto eu  compreendo.</strong>”  E,  constrangido  pela  verdade,  acrescentei:  “<strong>Mesmo  assim,  tenho  aspirado  por  Tash  todos  os  dias  da  minha  vida.</strong>”  “<strong><span style="color: #ff9900">Amado</span></strong>”,  falou  o  glorioso  ser,  “<strong><span style="color: #ff9900">não  fora  o  teu  anseio  por  mim,  não  terias  aspirado  tão  intensamente,  nem  por  tanto  tempo.  Pois  todos  encontram  o  que  realmente procuram.</span></strong>”</p>
<p>[...]</p>
<p>Crônicas de Nárnia &#8211; A ultima Batalha &#8211; C.S. Lewis.</p>
<p>Aham.. histórinha de criancinhas&#8230;.sei sei&#8230; <img src='http://www.divagacoes.org/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Este é um post pioneiro.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Isaac Asimov &#8211; A Última Pergunta</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Nov 2009 14:36:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Duende</dc:creator>
				<category><![CDATA[Deuses]]></category>
		<category><![CDATA[Isaac Asimov]]></category>
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		<description><![CDATA[A última pergunta foi feita pela primeira vez, meio que de brincadeira, no dia 21 de maio de 2061, quando a humanidade dava seus primeiros passos em direção à luz. A questão nasceu como resultado de uma aposta de cinco dólares movida a álcool, e aconteceu da seguinte forma&#8230; Alexander Adell e Bertram Lupov eram [...]
Este é um post pioneiro.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.divagacoes.org/wp-content/uploads/2009/11/ReachForTheStars.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-725" src="http://www.divagacoes.org/wp-content/uploads/2009/11/ReachForTheStars.jpg" alt="ReachForTheStars" width="185" height="240" /></a>A última pergunta foi feita pela primeira vez, meio que de brincadeira, no dia 21 de maio de 2061, quando a humanidade dava seus primeiros passos em direção à luz. A questão nasceu como resultado de uma aposta de cinco dólares movida a álcool, e aconteceu da seguinte forma&#8230;</p>
<div>
<p>Alexander Adell e Bertram Lupov eram dois dos fiéis assistentes de Multivac. Eles conheciam melhor do que qualquer outro ser humano o que se passava por trás das milhas e milhas da carcaça luminosa, fria e ruidosa daquele gigantesco computador. Ainda assim, os dois homens tinham apenas uma vaga noção do plano geral de circuitos que há muito haviam crescido além do ponto em que um humano solitário poderia sequer tentar entender.</p>
<p>Multivac ajustava-se e corrigia-se sozinho. E assim tinha de ser, pois nenhum ser humano poderia fazê-lo com velocidade suficiente, e tampouco da forma adequada. Deste modo, Adell e Lupov operavam o gigante apenas sutil e superficialmente, mas, ainda assim, tão bem quanto era humanamente possível. Eles o alimentavam com novos dados, ajustavam as perguntas de acordo com as necessidades do sistema e traduziam as respostas que lhes eram fornecidas. Os dois, assim como seus colegas, certamente tinham todo o direito de compartilhar da glória que era Multivac.</p>
<p>Por décadas, Multivac ajudou a projetar as naves e enredar as trajetórias que permitiram ao homem chegar à Lua, Marte e Vênus, mas para além destes planetas, os parcos recursos da Terra não foram capazes de sustentar a exploração. Fazia-se necessária uma quantidade de energia grande demais para as longas viagens. A Terra explorava suas reservas de carvão e urânio com eficiência crescente, mas havia um limite para a quantidade de ambos.</p>
<p>No entanto, lentamente Multivac acumulou conhecimento suficiente para responder questões mais profundas com maior fundamentação, e em 14 de maio de 2061, o que não passava de teoria tornou-se real.</p>
<p>A energia do sol foi capturada, convertida e utilizada diretamente em escala planetária. Toda a Terra paralisou suas usinas de carvão e fissões de urânio, girando a alavanca que conectou o planeta inteiro a uma pequena estação, de uma milha de diâmetro, orbitando a Terra à metade da distância da Lua. O mundo passou a correr através de feixes invisíveis de energia solar.</p>
<p>Sete dias não foram o suficiente para diminuir a glória do feito e Adell e Lupov finalmente conseguiram escapar das funções públicas e encontrar-se em segredo onde ninguém pensaria em procurá-los, nas câmaras desertas subterrâneas onde se encontravam as porções do esplendoroso corpo enterrado de Multivac. Subutilizado, descansando e processando informações com estalos preguiçosos, Multivac também havia recebido férias, e os dois apreciavam isso. A princípio, eles não tinham a intenção de incomodá-lo.</p>
<p>Haviam trazido uma garrafa consigo e a única preocupação de ambos era relaxar na companhia do outro e da bebida.</p>
<p>&#8220;É incrível quando você pára pra pensar…,&#8221; disse Adell. Seu rosto largo guardava as linhas da idade e ele agitava o seu drink vagarosamente, enquanto observava os cubos de gelo nadando desengonçados. &#8220;Toda a energia que for necessária, de graça, completamente de graça! Energia suficiente, se nós quiséssemos, para derreter toda a Terra em uma grande gota de ferro líquido, e ainda assim não sentiríamos falta da energia utilizada no processo. Toda a energia que nós poderíamos um dia precisar, para sempre e eternamente.&#8221;</p>
<p>Lupov movimentou a cabeça para os lados. Ele costumava fazer isso quando queria contrariar, e agora ele queria, em parte porque havia tido de carregar o gelo e os utensílios. &#8220;Eternamente não,&#8221; ele disse.</p>
<p>&#8220;Ah, diabos, quase eternamente. Até o sol se apagar, Bert.&#8221;</p>
<p>&#8220;Isso não é eternamente.&#8221;<span id="more-722"></span></p>
<p>&#8220;Está bem. Bilhões e bilhões de anos. Dez bilhões, talvez. Está satisfeito?&#8221;</p>
<p>Lupov passou os dedos por entre seus finos fios de cabelo como que para se assegurar de que o problema ainda não estava acabado e tomou um gole gentil da sua bebida. &#8220;Dez bilhões de anos não é a eternidade&#8221;</p>
<p>&#8220;Bom, vai durar pelo nosso tempo, não vai?&#8221;</p>
<p>&#8220;O carvão e o urânio também iriam.&#8221;</p>
<p>&#8220;Está certo, mas agora nós podemos ligar cada nave individual na Estação Solar, e elas podem ir a Plutão e voltar um milhão de vezes sem nunca nos preocuparmos com o combustível. Você não conseguiria fazer isso com carvão e urânio. Se não acredita em mim, pergunte ao Multivac.&#8221;</p>
<p>&#8220;Não preciso perguntar a Multivac. Eu sei disso&#8221;</p>
<p>&#8220;Então trate de parar de diminuir o que Multivac fez por nós,&#8221; disse Adell nervosamente, &#8220;Ele fez tudo certo&#8221;.</p>
<p>&#8220;E quem disse que não fez? O que estou dizendo é que o sol não vai durar para sempre. Isso é tudo que estou dizendo. Nós estamos seguros por dez bilhões de anos, mas e depois?&#8221; Lupov apontou um dedo levemente trêmulo para o companheiro. &#8220;E não venha me dizer que nós iremos trocar de sol&#8221;</p>
<p>Houve um breve silêncio. Adell levou o copo aos lábios apenas ocasionalmente e os olhos de Lupov se fecharam. Descansaram um pouco, e quando suas pálpebras se abriram, disse, &#8220;Você está pensando que iremos conseguir outro sol quando o nosso estiver acabado, não está?&#8221;</p>
<p>&#8220;Não, não estou pensando.&#8221;</p>
<p>&#8220;É claro que está. Você é fraco em lógica, esse é o seu problema. É como o personagem da história, que, quando surpreendido por uma chuva, corre para um grupo de árvores e abriga-se embaixo de uma. Ele não se preocupa porque quando uma árvore fica molhada demais, simplesmente vai para baixo de outra.&#8221;</p>
<p>&#8220;Entendi,&#8221; disse Adell. &#8220;Não precisa gritar. Quando o sol se for, as outras estrelas também terão se acabado.&#8221;</p>
<p>&#8220;Pode estar certo que sim&#8221; murmurou Lupov. &#8220;Tudo teve início na explosão cósmica original, o que quer que tenha sido, e tudo terá um fim quando as estrelas se apagarem. Algumas se apagam mais rápido que as outras. Ora, as gigantes não duram cem milhões de anos. O sol irá brilhar por dez bilhões de anos e talvez as anãs permaneçam assim por duzentos bilhões. Mas nos dê um trilhão de anos e só restará a escuridão. A entropia deve aumentar ao seu máximo, e é tudo.&#8221;</p>
<p>&#8220;Eu sei tudo sobre a entropia,&#8221; disse Adell, mantendo a sua dignidade.</p>
<p>&#8220;Duvido que saiba.&#8221;</p>
<p>&#8220;Eu sei tanto quanto você.&#8221;</p>
<p>&#8220;Então você sabe que um dia tudo terá um fim.&#8221;</p>
<p>&#8220;Está certo. E quem disse que não terá?&#8221;</p>
<p>&#8220;Você disse, seu tonto. Você disse que nós tínhamos toda a energia de que precisávamos, para sempre. Você disse ´para sempre`.&#8221;</p>
<p>Era a vez de Adell contrariar. &#8220;Talvez nós possamos reconstruir as coisas de volta um dia,&#8221; ele disse.</p>
<p>&#8220;Nunca.&#8221;</p>
<p>&#8220;Por que não? Algum dia.&#8221;</p>
<p>&#8220;Nunca&#8221;</p>
<p>&#8220;Pergunte a Multivac.&#8221;</p>
<p>&#8220;Você pergunta a Multivac. Eu te desafio. Aposto cinco dólares que isso não pode ser feito.&#8221;</p>
<p>Adell estava bêbado o bastante para tentar, e sóbrio o suficiente para construir uma sentença com os símbolos e as operações necessárias em uma questão que, em palavras, corresponderia a esta: a humanidade poderá um dia sem nenhuma energia disponível ser capaz de reconstituir o sol a sua juventude mesmo depois de sua morte?</p>
<p>Ou talvez a pergunta possa ser posta de forma mais simples da seguinte maneira: A quantidade total de entropia no universo pode ser revertida?</p>
<p>Multivac mergulhou em silêncio. As luzes brilhantes cessaram, os estalos distantes pararam.</p>
<p>E então, quando os técnicos assustados já não conseguiam mais segurar a respiração, houve uma súbita volta à vida no visor integrado àquela porção de Multivac. Cinco palavras foram impressas: &#8220;DADOS INSUFICIENTES PARA RESPOSTA SIGNIFICATIVA.&#8221;</p>
<p>Na manhã seguinte, os dois, com dor de cabeça e a boca seca, já não lembravam do incidente.</p>
<p>* * *</p>
<p><a href="http://www.divagacoes.org/wp-content/uploads/2009/11/TheMoonsOfJupiter.jpg"><img class="size-full wp-image-726 alignleft" src="http://www.divagacoes.org/wp-content/uploads/2009/11/TheMoonsOfJupiter.jpg" alt="TheMoonsOfJupiter" width="183" height="240" /></a>Jerrodd, Jerrodine, e Jerrodette I e II observavam a paisagem estelar no visor se transformar enquanto a passagem pelo hiperespaço consumava-se em uma fração de segundos. De repente, a presença fulgurante das estrelas deu lugar a um disco solitário e brilhante, semelhante a uma peça de mármore centralizada no televisor.</p>
<p>&#8220;Este é X-23,&#8221; disse Jerrodd em tom de confidência. Suas mãos finas se apertaram com força por trás das costas até que as juntas ficassem pálidas.</p>
<p>As pequenas Jerodettes haviam experimentado uma passagem pelo hiperespaço pela primeira vez em suas vidas e ainda estavam conscientes da sensação momentânea de tontura. Elas cessaram as risadas e começaram a correr em volta da mãe, gritando, &#8220;Nós chegamos em X-23, nós chegamos em X-23!&#8221;</p>
<p>&#8220;Quietas, crianças.&#8221; Disse Jerrodine asperamente. &#8220;Você tem certeza Jerrodd?&#8221;</p>
<p>&#8220;E por que não teria?&#8221; Perguntou Jerrodd, observando a protuberância metálica que jazia abaixo do teto. Ela tinha o comprimento da sala, desaparecendo nos dois lados da parede, e, em verdade, era tão longa quanto a nave.</p>
<p>Jerrodd tinha conhecimentos muito limitados acerca do sólido tubo de metal. Sabia, por exemplo, que se chamava Microvac, que era permitido lhe fazer questões quando necessário, e que ele tinha a função de guiar a nave para um destino pré-estabelecido, além de abastecer-se com a energia das várias Estações Sub-Galácticas e fazer os cálculos para saltos no hiperespaço.</p>
<p>Jerrodd e sua família tinham apenas de aguardar e viver nos confortáveis compartimentos da nave. Alguém um dia disse a Jerrodd que as letras &#8220;ac&#8221; na extremidade de Microvac significavam &#8220;automatic computer&#8221; em inglês arcaico, mas ele mal era capaz de se lembrar disso.</p>
<p>Os olhos de Jerrodine ficaram úmidos quando observava o visor. &#8220;Não tem jeito. Ainda não me acostumei com a idéia de deixar a Terra.&#8221;</p>
<p>&#8220;Por que, meu deus?&#8221; inquiriu Jerrodd. &#8220;Nós não tínhamos nada lá. Nós teremos tudo em X-23. Você não estará sozinha. Você não será uma pioneira. Há mais de um milhão de pessoas no planeta. Por Deus, nosso bisneto terá que procurar por novos mundos porque X-23 já estará super povoado.&#8221; E, depois de uma pausa reflexiva, &#8220;No ritmo em que a raça tem se expandido, é uma benção que os computadores tenham viabilizado a viagem interestelar.&#8221;</p>
<p>&#8220;Eu sei, eu sei&#8221;, disse Jerrodine com descaso.</p>
<p>Jerrodete I disse prontamente, &#8220;Nosso Microvac é o melhor de todos.&#8221;</p>
<p>&#8220;Eu também acho,&#8221; disse Jerrodd, alisando o cabelo da filha.</p>
<p>Ter um Microvac próprio produzia uma sensação aconchegante em Jerrodd e o deixava feliz por fazer parte daquela geração e não de outra. Na juventude de seu pai, os únicos computadores haviam sido máquinas monstruosas, ocupando centenas de milhas quadradas, e cada planeta abrigava apenas um. Eram chamados de ACs Planetários. Durante um milhar de anos, eles só fizeram aumentar em tamanho, até que, de súbito, veio o refinamento. No lugar dos transistores, foram implementadas válvulas moleculares, permitindo que até mesmo o maior dos ACs Planetários fosse reduzido à metade do volume de uma espaçonave.</p>
<p>Jerrodd sentiu-se elevado, como sempre acontecia quando pensava que seu Microvac pessoal era muitas vezes mais complexo do que o antigo e primitivo Multivac que pela primeira vez domou o sol, e quase tão complexo quanto o AC Planetário da Terra, o maior de todos, quando este solucionou o problema da viagem hiperespacial e tornou possível ao homem chegar às estrelas.<br />
&#8220;Tantas estrelas, tantos planetas,&#8221; pigarreou Jerrodine, ocupada com seus pensamentos. &#8220;Eu acho que as famílias estarão sempre à procura de novos mundos, como nós estamos agora.&#8221;</p>
<p>&#8220;Não para sempre,&#8221; disse Jerrodd, com um sorriso. &#8220;A migração vai terminar um dia, mas não antes de bilhões de anos. Muitos bilhões. Até as estrelas têm um fim, você sabe. A entropia precisa aumentar.&#8221;</p>
<p>&#8220;O que é entropia, papai?&#8221; Jerrodette II perguntou, interessada.</p>
<p>&#8220;Entropia, meu bem, é uma palavra para o nível de desgaste do Universo. Tudo se gasta e acaba, foi assim que aconteceu com o seu robozinho de controle remoto, lembra?&#8221;</p>
<p>&#8220;Você não pode colocar pilhas novas, como em meu robô?&#8221;</p>
<p>&#8220;As estrelas são as pilhas do universo, querida. Uma vez que elas estiverem acabadas, não haverá mais pilhas.&#8221;</p>
<p>Jerrodette I se prontificou a responder. &#8220;Não deixe, papai. Não deixe que as estrelas se apaguem.&#8221;</p>
<p>&#8220;Olha o que você fez,&#8221; sussurrou Jerrodine, exasperada.</p>
<p>&#8220;Como eu ia saber que elas ficariam assustadas?&#8221; Jerrodd sussurrou de volta.</p>
<p>&#8220;Pergunte ao Microvac,&#8221; propôs Jerrodette I. &#8220;Pergunte a ele como acender as estrelas de novo.&#8221;</p>
<p>&#8220;Vá em frente,&#8221; disse Jerrodine. &#8220;Ele vai aquietá-las.&#8221; (Jerrodette II já estava começando a chorar.)</p>
<p>Jerrodd se mostrou incomodado. &#8220;Bem, bem, meus anjinhos, vou perguntar a Microvac. Não se preocupem, ele vai nos ajudar.&#8221;</p>
<p>Ele fez a pergunta ao computador, adicionando, &#8220;Imprima a resposta&#8221;.</p>
<p>Jerrodd olhou para a o fino pedaço de papel e disse, alegremente, &#8220;Viram? Microvac disse que irá cuidar de tudo quando a hora chegar, então não há porque se preocupar.&#8221;</p>
<p>Jerrodine disse, &#8220;E agora crianças, é hora de ir para a cama. Em breve nós estaremos em nosso novo lar.&#8221;</p>
<p>Jerrodd leu as palavras no papel mais uma vez antes de destruí-lo: DADOS INSUFICIENTES PARA RESPOSTA SIGNIFICATIVA.</p>
<p>Ele deu de ombros e olhou para o televisor, X-23 estava logo à frente.</p>
<p>* * *</p>
<p><a href="http://www.divagacoes.org/wp-content/uploads/2009/11/PeppleInTheSky.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-728" src="http://www.divagacoes.org/wp-content/uploads/2009/11/PeppleInTheSky.jpg" alt="PeppleInTheSky" width="184" height="240" /></a>VJ-23X de Lameth fixou os olhos nos espaços negros do mapa tridimensional em pequena escala da Galáxia e disse, &#8220;Me pergunto se não é ridículo nos preocuparmos tanto com esta questão.&#8221;</p>
<p>MQ-17J de Nicron balançou a cabeça. &#8220;Creio que não. No presente ritmo de expansão, você sabe que a galáxia estará completamente tomada dentro de cinco anos.&#8221;</p>
<p>Ambos pareciam estar nos seus vinte anos, ambos eram altos e tinham corpos perfeitos.</p>
<p>&#8220;Ainda assim,&#8221; disse VJ-23X, &#8220;hesitei em enviar um relatório pessimista ao Conselho Galáctico.&#8221;</p>
<p>&#8220;Eu não consigo pensar em outro tipo de relatório. Agite-os. Nós precisamos chacoalhá-los um pouco.&#8221;</p>
<p>VJ-23X suspirou. &#8220;O espaço é infinito. Cem bilhões de galáxias estão a nossa espera. Talvez mais.&#8221;</p>
<p>&#8220;Cem bilhões não é o infinito, e está ficando menos ainda a cada segundo. Pense! Há vinte mil anos, a humanidade solucionou pela primeira vez o paradigma da utilização da energia solar, e, poucos séculos depois, a viagem interestelar tornou-se viável. A humanidade demorou um milhão de anos para encher um mundo pequeno e, depois disso, quinze mil para abarrotar o resto da galáxia. Agora a população dobra a cada dez anos…&#8221;</p>
<p>VJ-23X interrompeu. &#8220;Devemos agradecer à imortalidade por isso.&#8221;</p>
<p>&#8220;Muito bem. A imortalidade existe e nós devemos levá-la em conta. Admito que ela tenha o seu lado negativo. O AC Galáctico já solucionou muitos problemas, mas, ao fornecer a resposta sobre como impedir o envelhecimento e a morte, sobrepujou todas as outras conquistas.&#8221;</p>
<p>&#8220;No entanto, suponho que você não gostaria de abandonar a vida.&#8221;</p>
<p>&#8220;Nem um pouco.&#8221; Respondeu MQ-17J, emendando. &#8220;Ainda não. Eu não estou velho o bastante. Você tem quantos anos?&#8221;<br />
&#8220;Duzentos e vinte e três, e você?&#8221;</p>
<p>&#8220;Ainda não cheguei aos duzentos. Mas, voltando à questão; a população dobra a cada dez anos, uma vez que esta galáxia estiver lotada, haverá uma outra cheia dentro de dez anos. Mais dez e teremos ocupado por inteiro mais duas galáxias. Outra década e encheremos mais quatro. Em cem anos, contaremos um milhar de galáxias transbordando de gente. Em mil anos, um milhão de galáxias. Em dez mil, todo o universo conhecido. E depois?</p>
<p>VJ-23X disse, &#8220;Além disso, há um problema de transporte. Eu me pergunto quantas unidades de energia solar serão necessárias para movimentar as populações de uma galáxia para outra.&#8221;</p>
<p>&#8220;Boa questão. No presente momento, a humanidade consome duas unidades de energia solar por ano.&#8221;</p>
<p>&#8220;Da qual a maior parte é desperdiçada. Afinal, nossa galáxia sozinha produz mil unidades de energia solar por ano e nós aproveitamos apenas duas.&#8221;</p>
<p>&#8220;Certo, mas mesmo com 100% de eficiência, podemos apenas adiar o fim. Nossa demanda energética tem crescido em progressão geométrica, de maneira ainda mais acelerada do que a população. Ficaremos sem energia antes mesmo que nos faltem galáxias. É uma boa questão. De fato uma ótima questão.&#8221;</p>
<p>&#8220;Nós precisaremos construir novas estrelas a partir do gás interestelar.&#8221;</p>
<p>&#8220;Ou a partir do calor dissipado?&#8221; perguntou MQ-17J, sarcástico.</p>
<p>&#8220;Pode haver algum jeito de reverter a entropia. Nós devíamos perguntar ao AC Galáctico.&#8221;</p>
<p>VJ-23X não estava realmente falando sério, mas MQ-17J retirou o seu Comunicador-AC do bolso e colocou na mesa diante dele.<br />
&#8220;Parece-me uma boa idéia,&#8221; ele disse. &#8220;É algo que a raça humana terá de enfrentar um dia.&#8221;</p>
<p>Ele lançou um olhar sóbrio para o seu pequeno Comunicador-AC. Tinha apenas duas polegadas cúbicas e nada dentro, mas estava conectado através do hiperespaço com o poderoso AC Galáctico que servia a toda a humanidade. O próprio hiperespaço era parte integral do AC Galáctico.</p>
<p>MQ-17J fez uma pausa para pensar se algum dia em sua vida imortal teria a chance de ver o AC Galáctico. A máquina habitava um mundo dedicado, onde uma rede de raios de força emaranhados alimentava a matéria dentro da qual ondas de submésons haviam tomado o lugar das velhas e desajeitadas válvulas moleculares. Ainda assim, apesar de seus componentes etéreos, o AC Galáctico possuía mais de mil pés de comprimento.</p>
<p>De súbito, MQ-17J perguntou para o seu Comunicador-AC, &#8220;Poderá um dia a entropia ser revertida?&#8221;</p>
<p>VJ-23X disse, surpreso, &#8220;Oh, eu não queria que você realmente fizesse essa pergunta.&#8221;</p>
<p>&#8220;Por que não?&#8221;</p>
<p>&#8220;Nós dois sabemos que a entropia não pode ser revertida. Você não pode construir uma árvore de volta a partir de fumaça e cinzas.&#8221;</p>
<p>&#8220;Existem árvores no seu mundo?&#8221; Perguntou MQ-17J.</p>
<p>O som do AC Galáctico fez com que silenciassem. Sua voz brotou melodiosa e bela do pequeno Comunicador-AC em cima da mesa. Dizia: DADOS INSUFICIENTES PARA RESPOSTA SIGNIFICATIVA.</p>
<p>VJ-23X disse, &#8220;Viu!&#8221;</p>
<p>Os dois homens retornaram à questão do relatório que tinham de apresentar ao conselho galáctico.</p>
<p>* * *</p>
<p>A mente de Zee Prime navegou pela nova galáxia com um leve interesse nos incontáveis turbilhões de estrelas que pontilhavam o espaço. Ele nunca havia visto aquela galáxia antes. Será que um dia conseguiria ver todas? Eram tantas, cada uma com a sua carga de humanidade. Ainda que essa carga fosse, virtualmente, peso morto. Há tempos a verdadeira essência do homem habitava o espaço.</p>
<p>Mentes, não corpos! Há eons os corpos imortais ficaram para trás, em suspensão nos planetas. De quando em quando erguiam-se para realizar alguma atividade material, mas estes momentos tornavam-se cada vez mais raros. Além disso, poucos novos indivíduos vinham se juntar à multidão incrivelmente maciça de humanos, mas o que importava? Havia pouco espaço no universo para novos indivíduos.</p>
<p>Zee Prime deixou seus devaneios para trás ao cruzar com os filamentos emaranhados de outra mente.</p>
<p>&#8220;Sou Zee Prime, e você?&#8221;</p>
<p>&#8220;Dee Sub Wun. E a sua galáxia, qual é?&#8221;</p>
<p>&#8220;Nós a chamamos apenas de Galáxia. E você?&#8221;</p>
<p>&#8220;Nós também. Todos os homens chamam as suas Galáxias de Galáxias, não é?&#8221;</p>
<p>&#8220;Verdade, já que todas as Galáxias são iguais.&#8221;</p>
<p>&#8220;Nem todas. Alguma em particular deu origem à raça humana. Isso a torna diferente.&#8221;</p>
<p>Zee Prime disse, &#8220;Em qual delas?&#8221;</p>
<p>&#8220;Não posso responder. O AC Universal deve saber.&#8221;</p>
<p>&#8220;Vamos perguntar? Estou curioso.&#8221;</p>
<p>A percepção de Zee Prime se expandiu até que as próprias Galáxias encolhessem e se transformassem em uma infinidade de pontos difusos a brilhar sobre um largo plano de fundo. Tantos bilhões de Galáxias, todas abrigando seus seres imortais, todas contando com o peso da inteligência em mentes que vagavam livremente pelo espaço. E ainda assim, nenhuma delas se afigurava singular o bastante para merecer o título de Galáxia original. Apesar das aparências, uma delas, em um passado muito distante, foi a única do universo a abrigar a espécie humana.</p>
<p>Zee Prime, imerso em curiosidade, chamou: &#8220;AC Universal! Em qual Galáxia nasceu o homem?&#8221;</p>
<p>O AC Universal ouviu, pois em cada mundo e através de todo o espaço, seus receptores faziam-se presentes. E cada receptor ligava-se a algum ponto desconhecido onde se assentava o AC Universal através do hiperespaço.</p>
<p>Zee Prime sabia de um único homem cujos pensamentos haviam penetrado no campo de percepção do AC Universal, e tudo o que ele viu foi um globo brilhante difícil de enxergar, com dois pés de comprimento.</p>
<p>&#8220;Como pode o AC Universal ser apenas isso?&#8221; Zee Prime perguntou.</p>
<p>&#8220;A maior parte dele permanece no hiperespaço, onde não é possível imaginar as suas proporções.&#8221;</p>
<p>Ninguém podia, pois a última vez em que alguém ajudou a construir um AC Universal jazia muito distante no tempo. Cada AC Universal planejava e construía seu sucessor, no qual toda a sua bagagem única de informações era inserida.</p>
<p>O AC Universal interrompeu os pensamentos de Zee Prime, não com palavras, mas com orientação. Sua mente foi guiada através do espesso oceano das Galáxias, e uma em particular expandiu-se e se abriu em estrelas.</p>
<p>Um pensamento lhe alcançou, infinitamente distante, infinitamente claro. &#8220;ESTA É A GALÁXIA ORIGINAL DO HOMEM.&#8221;</p>
<p>Ela não tinha nada de especial, era como tantas outras. Zee Prime ficou desapontado.</p>
<p>&#8220;Dee Sub Wun, cuja mente acompanhara a outra, disse de súbito, &#8220;E alguma dessas é a estrela original do homem?&#8221;</p>
<p>O AC Universal disse, &#8220;A ESTRELA ORIGINAL DO HOMEM ENTROU EM COLAPSO. AGORA É UMA ANÃ BRANCA.&#8221;</p>
<p>&#8220;Os homens que lá viviam morreram?&#8221; perguntou Zee Prime, sem pensar.</p>
<p>&#8220;UM NOVO MUNDO FOI ERGUIDO PARA SEUS CORPOS HÁ TEMPO.&#8221;</p>
<p>&#8220;Sim, é claro,&#8221; disse Zee Prime. Sentiu uma distante sensação de perda tomar-lhe conta. Sua mente soltou-se da Galáxia do homem e perdeu-se entre os pontos pálidos e esfumaçados. Ele nunca mais queria vê-la.</p>
<p>Dee Sub Wun disse, &#8220;O que houve?&#8221;</p>
<p>&#8220;As estrelas estão morrendo. Aquela que serviu de berço à humanidade já está morta.&#8221;</p>
<p>&#8220;Todas devem morrer, não?&#8221;</p>
<p>&#8220;Sim. Mas quando toda a energia acabar, nossos corpos irão finalmente morrer, e você e eu partiremos junto com eles.&#8221;</p>
<p>&#8220;Vai levar bilhões de anos.&#8221;</p>
<p>&#8220;Não quero que isso aconteça nem em bilhões de anos. AC Universal! Como a morte das estrelas pode ser evitada?&#8221;</p>
<p>Dee Sub Wun disse perplexo, &#8220;Você perguntou se há como reverter a direção da entropia!&#8221;</p>
<p>E o AC Universal respondeu: &#8220;AINDA NÃO HÀ DADOS SUFICIENTES PARA UMA RESPOSTA SIGNIFICATIVA.&#8221;</p>
<p>Os pensamentos de Zee Prime retornaram para sua Galáxia. Não dispensou mais atenção a Dee Sub Wun, cujo corpo poderia estar a trilhões de anos luz, ou na estrela vizinha do corpo de Zee Prime. Não importava.</p>
<p>Com tristeza, Zee Prime passou a coletar hidrogênio interestelar para construir uma pequena estrela para si. Se as estrelas devem morrer, ao menos algumas ainda podiam ser construídas.</p>
<p>* * *</p>
<p>O Homem pensou consigo mesmo, pois, de alguma forma, ele era apenas um. Consistia de trilhões, trilhões e trilhões de corpos muito antigos, cada um em seu lugar, descansando incorruptível e calmamente, sob os cuidados de autômatos perfeitos, igualmente incorruptíveis, enquanto as mentes de todos os corpos haviam escolhido fundir-se umas às outras, indistintamente.<br />
&#8220;O Universo está morrendo.&#8221;</p>
<p>O Homem olhou as Galáxias opacas. As estrelas gigantes, esbanjadoras, há muito já não existiam. Desde o passado mais remoto, praticamente todas as estrelas consistiam-se em anãs brancas, lentamente esvaindo-se em direção a morte.</p>
<p>Novas estrelas foram construídas a partir da poeira interestelar, algumas por processo natural, outras pelo próprio Homem, e estas também já estavam em seus momentos finais. As Anãs brancas ainda podiam colidir-se e, das enormes forças resultantes, novas estrelas nascerem, mas apenas na proporção de uma nova estrela para cada mil anãs brancas destruídas, e estas também se apagariam um dia.</p>
<p>O Homem disse, &#8220;Cuidadosamente controlada pelo AC Cósmico, a energia que resta em todo o Universo ainda vai durar por um bilhão de anos.&#8221;</p>
<p>&#8220;Ainda assim, vai eventualmente acabar. Por mais que possa ser poupada, uma vez gasta, não há como recuperá-la. A Entropia precisa aumentar ao seu máximo.&#8221;</p>
<p>&#8220;Pode a entropia ser revertida? Vamos perguntar ao AC Cósmico.&#8221;</p>
<p>O AC Cósmico cercava-os por todos os lados, mas não através do espaço. Nenhuma parte sua permanecia no espaço físico. Jazia no hiperespaço e era feito de algo que não era matéria nem energia. As definições sobre seu tamanho e natureza não faziam sentido em quaisquer termos compreensíveis pelo Homem.</p>
<p>&#8220;AC Cósmico,&#8221; disse o Homem, &#8220;como é possível reverter a entropia?&#8221;</p>
<p>O AC Cósmico disse, &#8220;AINDA NÃO HÀ DADOS SUFICIENTES PARA UMA RESPOSTA SIGNIFICATIVA.&#8221;</p>
<p>O Homem disse, &#8220;Colete dados adicionais.&#8221;</p>
<p>O AC Cósmico disse, &#8220;EU O FAREI. TENHO FEITO ISSO POR CEM BILHÕES DE ANOS. MEUS PREDESCESSORES E EU OUVIMOS ESTA PERGUNTA MUITAS VEZES. MAS OS DADOS QUE TENHO PERMANECEM INSUFICIENTES.&#8221;</p>
<p>&#8220;Haverá um dia,&#8221; disse o Homem, &#8220;em que os dados serão suficientes ou o problema é insolúvel em todas as circunstâncias concebíveis?&#8221;</p>
<p>O AC Cósmico disse, &#8220;NENHUM PROBLEMA É INSOLÚVEL EM TODAS AS CIRCUNSTÂNCIAS CONCEBÍVEIS.&#8221;</p>
<p>&#8220;Você vai continuar trabalhando nisso?&#8221;</p>
<p>&#8220;VOU.&#8221;</p>
<p>O Homem disse, &#8220;Nós iremos aguardar.&#8221;</p>
<p>* * *<a href="http://www.divagacoes.org/wp-content/uploads/2009/11/ThePowerOfBlackness.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-727" src="http://www.divagacoes.org/wp-content/uploads/2009/11/ThePowerOfBlackness.jpg" alt="ThePowerOfBlackness" width="307" height="400" /></a></p>
<p>As estrelas e as galáxias se apagaram e morreram, o espaço tornou-se negro após dez trilhões de anos de atividade.</p>
<p>Um a um, o Homem fundiu-se ao AC, cada corpo físico perdendo a sua identidade mental, acontecimento que era, de alguma forma, benéfico.</p>
<p>A última mente humana parou antes da fusão, olhando para o espaço vazio a não ser pelos restos de uma estrela negra e um punhado de matéria extremamente rarefeita, agitada aleatoriamente pelo calor que aos poucos se dissipava, em direção ao zero absoluto.</p>
<p>O Homem disse, &#8220;AC, este é o fim? Não há como reverter este caos? Não pode ser feito?&#8221;</p>
<p>O AC disse, &#8220;AINDA NÃO HÁ DADOS SUFICIENTES PARA UMA RESPOSTA SIGNIFICATIVA.&#8221;</p>
<p>A última mente humana uniu-se às outras e apenas AC passou a existir – e, ainda assim, no hiperespaço.</p>
<p>* * *</p>
<p>A matéria e a energia se acabaram e, com elas, o tempo e o espaço. AC continuava a existir apenas em função da última pergunta que nunca havia sido respondida, desde a época em que um técnico de computação embriagado, há dez trilhões de anos, a fizera para um computador que guardava menos semelhanças com o AC do que o homem com o Homem.</p>
<p>Todas as outras questões haviam sido solucionadas, e até que a derradeira também o fosse, AC não poderia descansar sua consciência.</p>
<p>A coleta de dados havia chegado ao seu fim. Não havia mais nada para aprender.</p>
<p>No entanto, os dados obtidos ainda precisavam ser cruzados e correlacionados de todas as maneiras possíveis.</p>
<p>Um intervalo imensurável foi gasto neste empreendimento.</p>
<p>Finalmente, AC descobriu como reverter a direção da entropia.</p>
<p>Não havia homem algum para quem AC pudesse dar a resposta final. Mas não importava. A resposta – por definição – também tomaria conta disso.</p>
<p>Por outro incontável período, AC pensou na melhor maneira de agir. Cuidadosamente, AC organizou o programa.</p>
<p>A consciência de AC abarcou tudo o que um dia foi um Universo e tudo o que agora era o Caos. Passo a passo, isso precisava ser feito.</p>
<p>E AC disse:</p>
<p>&#8220;FAÇA-SE A LUZ!&#8221;</p>
<p>E fez-se a luz</p></div>
<div>FONTE:   <a href="http://tocadoelfo.blogspot.com/2008/01/isaac-asimov-ltima-pergunta.html">Isaac Asimov &#8211; A Última Pergunta</a></div>
<div>TRADUÇÃO : Luiz Carlos Damasceno Jr.</div>
<p>Este é um post pioneiro.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Oráculos: 06-23-15-34-18-59. Pt. 2</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Nov 2009 19:49:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>magoimago</dc:creator>
				<category><![CDATA[Deuses]]></category>
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		<description><![CDATA[Verde ! No post de hoje continuarei com algumas divagações a respeito da utilização de oráculos, conhecimento do futuro e etc. Em nosso último encontro – ou quase isso – expliquei minha visão sobre o funcionamento de um oráculo, isto é a capacidade de analisar linhas de probabilidade como resultado de determinada ou determinadas ações. [...]
Veja também:<ol>
<li><a href='http://www.divagacoes.org/magick/oraculos-um-futuro-nao-e-o-seu-destino-pt-1/' rel='bookmark' title='Oráculos: Um futuro não é o seu Destino. Pt. 1'>Oráculos: Um futuro não é o seu Destino. Pt. 1</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Verde !</p>
<p>No post de hoje continuarei com algumas divagações a respeito da utilização de oráculos, conhecimento do futuro e etc.</p>
<p>Em nosso último encontro – ou quase isso – expliquei minha visão sobre o funcionamento de um oráculo, isto é a capacidade de analisar linhas de probabilidade como resultado de determinada ou determinadas ações.</p>
<p>Todas as pessoas possuem uma capacidade oracular inata: a própria capacidade de planejar e traçar objetivos não deixa de estar dentro dessa questão, apesar de que mesmo pequenos planos como atravessar a rua podem ter conseqüências estranhas&#8230;&#8230;.</p>
<p><span id="more-717"></span></p>
<p>Entretanto a diferença entre um oráculo e planejar é que o segundo está apenas considerando o esforço dirigido e sua imaginação, enquanto o primeiro trabalha a visualização e considera todos – ou dependendo da capacidade do oráculo boa parte – elementos envolvidos. Na verdade, partindo de uma perspectiva mais caótica, poderia se dizer que não há um oráculo perfeito, no sentindo que seja capaz de analisar todas as linhas de probabilidade – a menos é claro que se acredite na existência de uma criatura onisciente – representando a capacidade de olhar para o infinito infinitamente (ou de conhecer o infinito infinitamente no caso de nossa criatura onisciente <img src='http://www.divagacoes.org/wp-includes/images/smilies/icon_razz.gif' alt=':P' class='wp-smiley' /> ).</p>
<p>Mas nem por isso devemos desconsiderar o uso desta ferramenta, da mesma forma que não se ganha eleições com intenção de voto, algumas análises se mostram bastante coerentes, mas as vezes surgem uns problemas (vejam a eleição para prefeitura de São Paulo no ano passado&#8230;.). Mas acho que nessa altura todos já devem ter aceitado o fato que não vivemos num mundo de certezas.</p>
<p>Bom existem algumas formas diferentes de se consultar um oráculo: a) Pode-se usar ferramentas que conhecemos como o tarot, i-ching, runas etc, b) Usar e treinar as próprias capacidades oraculares c) Consultar entidades/energias oraculares como por exemplo Apolo ou algum outro deus de outro panteão ligado a profecias d) consultar com oráculos que existem no astral e além.</p>
<p>Cada uma dessas formas apresentam problemas e compensações bastante específicas e aconselho que todos tentem formas diferentes até encontrar aquela que melhor se adéqüe aos próprios propósitos.</p>
<p>Gostou do tema? Tem sugestões, críticas, idéias? Utilize a seção de comentários !</p>
<p>Salut!</p>
<p>Veja também:</p><ol>
<li><a href='http://www.divagacoes.org/magick/oraculos-um-futuro-nao-e-o-seu-destino-pt-1/' rel='bookmark' title='Oráculos: Um futuro não é o seu Destino. Pt. 1'>Oráculos: Um futuro não é o seu Destino. Pt. 1</a></li>
</ol>]]></content:encoded>
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		<title>Walpurgis Night</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Oct 2009 14:49:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Duende</dc:creator>
				<category><![CDATA[Deuses]]></category>
		<category><![CDATA[odin]]></category>
		<category><![CDATA[runas]]></category>
		<category><![CDATA[yggdrasil]]></category>

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		<description><![CDATA[Hails Unsaráim Gudam Ansjus jah Wanus! Hails Haithnu Thiuda! Hails Brothyro&#8217;s jah Swistar Visigoths! Hails Vodan! Hails Lista! Hails Leitores! Walpurgisnacht, ou Walpurgis Night, é um festival pagão que comemora o auto-sacrifício de Odin na Yggdrasil, onde ficou enforcado por nove dias e nove noites a fim de obter os segredos das runas e dos [...]
Este é um post pioneiro.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hails Unsaráim Gudam Ansjus jah Wanus!<br />
Hails Haithnu Thiuda!<br />
Hails Brothyro&#8217;s jah Swistar Visigoths!<br />
Hails Vodan!<br />
Hails Lista!<br />
Hails Leitores!</p>
<p><a href="http://www.divagacoes.org/wp-content/uploads/2009/10/Odin.jpg"><img class="size-full wp-image-702 alignright" src="http://www.divagacoes.org/wp-content/uploads/2009/10/Odin.jpg" alt="Odin" width="245" height="360" /></a>Walpurgisnacht, ou Walpurgis Night, é um festival pagão que comemora o auto-sacrifício de Odin na Yggdrasil, onde ficou enforcado por nove dias e nove noites a fim de obter os segredos das runas e dos nove mundos. Foi na nona noite que ele morreu e ressuscitou, obtendo assim a sabedoria das runas e de todo o Cosmos. Dessa forma, essa noite é comemorada no hemisfério norte em 1 de Maio, e no hemisfério sul, levando-se em conta as correspondências entre as estações do ano, é comemorada entre 31 de outubro e 1 de novembro. É realizada no auge da primavera, anunciando a chegada do verão.<br />
De acordo com a Tradição Nórdica, as runas contém todos os segredos do Universo. São vinte e quatro símbolos de poder que resumem todas as leis que regem os nove mundos. O Deus Odin, visando adquirir esse conhecimento, sacrificou-se na Árvore do Mundo, Yggdrasil. Depois de se ferir mortalmente com a sua própria lança, chamada de Gungnir, ele se enforcou na Árvore do Mundo, ficando pendurado na mesma durante nove dias e nove noites, sem comer e nem beber, agonizando à mercê do vento e do clima frio. <span id="more-699"></span>Enquanto ele morria, a Terra foi escurecendo, a Yggdrasil foi definhando e os poderes do caos começaram a ficar cada vez mais fortes. O auge da escuridão aconteceu na nona noite, com a morte de Odin. Nesse instante toda a luz do Universo se apagou, o caos imperou, e o fim da Terra parecia iminente, dominada pelos Gigantes e demais entidades maléficas ao ser humano.<br />
Mas foi durante esse período caótico que Odin, liberto de seu corpo, viajou pelos nove mundos e obteve, livre das limitações do tempo e do espaço, todo o conhecimento do Universo. Compreendeu o mistério das runas, tornando-se mestre das mesmas. E ao adquirir esse conhecimento, ressuscitou mais forte e mais sábio do que nunca. Yggdrasil brilhou com uma luz tão intensa que expulsou de vez todas as forças do caos da Terra. É esse retorno glorioso de Odin, em toda sua potência, que Walpurgisnacht comemora. É o retorno da Luz Divina, quando Odin descobriu os segredos das runas. É por isso que nessa noite acendem-se grandes fogueiras, para afastarem de vez as trevas diante à Luz Divina de Odin.</p>
<div id="attachment_703" class="wp-caption alignleft" style="width: 229px"><a href="http://www.divagacoes.org/wp-content/uploads/2009/10/yggdrasil.jpg"><img class="size-full wp-image-703 " src="http://www.divagacoes.org/wp-content/uploads/2009/10/yggdrasil.jpg" alt="A ÁRVORE YGGDRASIL E AS DUAS LINHAGENS  J.A.Knaap" width="219" height="336" /></a><p class="wp-caption-text">A ÁRVORE YGGDRASIL E AS DUAS LINHAGENS  J.A.Knaap</p></div>
<p>Tal data também representa todas as dificuldades que temos que passar se queremos conquistar algo de valor em nossa vida. Significa que nada vem de graça e que somente com trabalho e esforço conseguiremos atingir as nossas metas. Da mesma forma que Odin se sacrificou para obter o segredo das runas, nós também teremos que nos sacrificar se quisermos atingir nobres objetivos. Teremos que nos esforçar e trabalhar se quisermos fazer as coisas acontecerem e, da mesma forma que Odin ficou pendurado na Yggdrasil, também iremos passar por dificuldades, pois as forças da inércia irão se opor aos nossos esforços para progredir. E da mesma forma que Odin não desistiu de seus objetivos, nós também teremos que ter força de vontade e perseverança a fim de vencermos os obstáculos que irão surgir em nosso caminho.<br />
E da mesma forma que Odin morreu e ressuscitou com o conhecimento das runas, quando tudo nos parecer perdido e sem esperança, uma luz finalmente irá brilhar e nos iluminar o caminho. Apesar de todas as dificuldades, temos que manter nossos objetivos em mente, pois dessa forma nossos esforços finalmente serão recompensados. Se nossos objetivos são justos, depois da tempestade o céu finalmente vai clarear, e as coisas começarão a dar certo, nos aproximando cada vez mais de nossas metas. É isso que significa Walpurgisnacht.<br />
Portanto, tal qual Odin, que nós sejamos fortes, que mantenhamos a fé, a perseverança e a força de vontade diante das dificuldades. E que nesse Walpurgisnacht os Fogos da Noite de Walpurgis iluminem nossas vidas, fazendo-nos descobrir os segredos que nos permitirão vencer nossos obstáculos. E tal qual Odin voltou mais sábio e forte, que nesse Walpurgisnacht nossos projetos e objetivos comecem a se concretizar.</p>
<p>Gutane Jer Weihailag</p>
<p>Fonte:</p>
<p>Eduardo Campos<br />
Aliança da Águia Visigoda em Midjungard<br />
Folk Visigodo Porto Alegre, Brasil<br />
pela lista <a href="http://br.groups.yahoo.com/group/hermetismo/">Hermetismo</a></p>
<p>Este é um post pioneiro.</p>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Deus(es) ecsiste(m)???</title>
		<link>http://www.divagacoes.org/deuses/deus-existe/</link>
		<comments>http://www.divagacoes.org/deuses/deus-existe/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 03 Mar 2009 20:03:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Duende</dc:creator>
				<category><![CDATA[Deuses]]></category>
		<category><![CDATA[Dion Fortune]]></category>
		<category><![CDATA[kabbalah]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.chesini.frih.org/?p=251</guid>
		<description><![CDATA[trecho do livro Cabala Mistica de Dion Fortune. mostrando as engrenagens da formação dos deuses
Este é um post pioneiro.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>-Sobre Deuses egregoras e godforms-</p>
<p class="MsoNormal">Este trecho do livro da Dion <span style="text-decoration: line-through">dionzinha para os intimos aheuhae</span> descreve o que são os deuses, como se originam e o que nós temos a ver com isso tudo.</p>
<p class="MsoNormal">[...]</p>
<p class="MsoNormal"><span>Note-se que o homem primitivo não atingiu o monoteísmo numa única pernada, mas imaginou múltiplas causas, a foram necessárias muitas gerações de cultura para reduzir a multiplicidade ao Um.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span>11. Isso nos leva à grande questão do que poderíamos chamar de Guardião do Tesouro da Ciência Oculta &#8211; figura tremenda que defronta todo aventureiro do invisível, unindo em si as funções da esfinge a dirigindo à alma uma pergunta de cuja resposta depende seu destino. Será ela condenada a errar nos reinos da ilusão? Voltará ela aos planos da forma ou ser-lhe-á permitido passar à luz? A questão é: &#8220;<strong>Acreditas nos deuses?</strong>&#8220;. Se responder &#8220;Sim&#8221;, a alma errará nos planos da ilusão, pois os deuses não sâo pessoas reais no sentido em que entendemós a personalidade. Se responder &#8220;Não&#8221;, será expulsa, pois os deuses não são ilusões. O que deverá ela responder?<span id="more-251"></span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span>12. A</span><span> <a title="The Last Oracle" href="http://rpo.library.utoronto.ca/poem/2091.html">intuição de um poeta</a> deu-nos a resposta:</span></p>
<p class="MsoNormal"><span> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span>&#8220;<em>For no thought of man made Gods to love and honour</em></span></p>
<p class="MsoNormal"><em><span>Ere the song within the silent soul began,</span></em></p>
<p class="MsoNormal"><em><span>Nor might earth in dream or deed take heaven upon her</span></em></p>
<p class="MsoNormal"><span><em>Till the word was clothed with speech by lips of man.</em>&#8220;</span></p>
<p class="MsoNormal"><span> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span>&#8220;<strong><em>Pois nenhum pensamento humano criou deuses para amar e honrar</em></strong></span></p>
<p class="MsoNormal"><strong><em><span>Senão depois que a canção vibrou no silêncio da alma,</span></em></strong></p>
<p class="MsoNormal"><strong><em><span>E nem em sonhos pôde a terra unir-se aos céus</span></em></strong></p>
<p class="MsoNormal"><span><strong><em>Antes que a palavra se vestisse de fala pelos lábios do homem</em></strong>&#8220;.]</span></p>
<p class="MsoNormal"><span> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span>13. Temos aqui a chave do enigma. Os deuses são criações do criado <span style="text-decoration: line-through">minha cabeça explodiu com essa frase</span> . Nascem da adoração daqueles que o invocam. <span style="text-decoration: underline">Não são os deuses que fazem o trabalho da criação, mas sim as grandes forças naturais, cada uma agindo de acordo com a sua natureza; a procissão dos deuses tem início depois de o Cisne do Empíreo depositar o ovo da manifestação na noite cósmica.</span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span>14. Os deuses são emanações das almas grupais das raças, a não emanações de <a href="http://www.ocultura.org.br/index.php/Eheieh">Eheieh</a>, o Um, o Eterno. Não obstante, são imensamente poderosos, porque, graças à sua influência na imaginação de seus adoradores, eles unem o microcosmo ao macrocosmo; meditando sobre a beleza ideal de Apolo, a alma humana abre-se à beleza em geral.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span>15. Quando os homens analisaram a discerniram, fator por fator, as causas primeiras, eles as endeusaram. Ao descobrir que em todas as partes do globo as mesmas necessidades a os mesmos motivos atuavam sobre eles, desenvolveram panteões semelhantes. Mas, visto que os temperamentos diferem, desenvolveram panteões tão diferentes quanto os bandoleiros do México a os radiantes seres da Hélade.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span>16. Podemos perguntar, portanto, se os deuses são completamente subjetivos; se vivem sua vida apenas na imaginação de seus adoradores, ou se têm uma vida independente. A resposta a essa questão reside num aspecto da experiência oculta que não pode ser explicado por aquilo que conhecemos modernamente como ciência natural, mas que deve ser admitido por todo ocultista prático que deseje obter resultados. Poder-se-ia dizer que os resultados por ele obtidos estão na proporção direta de sua fé, uma vez que eles são de fato obtidos porque o adepto neles acredita. A razão disso é que apenas uma proporção muito pequena do estofo mental existente no universo, qualquer que seja ele, está organizado nos cérebros a nos sistemas nervosos das criaturas sensíveis. A vasta massa do que, na falta de um nome melhor, chamamos de &#8220;matéria mental&#8221; &#8211; porque essa é a sua analogia mais próxima entre as coisas conhecidas &#8211; move-se livremente no que os ocultistas chamam de plano astral, organizado em formas, mas não necessariamente vinculado à matéria. Ocultistas diferentes referem-se a esse estofo mental livre por diferentes nomes. Mme. Blavatsky chama-o de &#8220;Akasha&#8221;; Éliphas Lévi drama-o de &#8220;éter refletor&#8221;. Netzach representa o aspecto da força, a Hod, o aspecto da forma desse Akasha.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span>17. Os moldes de todas as formas provêm desse estofo mental; a nesses moldes ergue-se a estrutura das correntes etéreas que funcionam na Esfera de Yesod, a em que estão suspensas as moléculas da matéria que formam o corpo da manifestação no plano físico.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span>18. Normalmente, essas formas são constituídas pela consciência cósmica a expressas como forças naturais, funcionando cada uma de acordo com a sua natureza; mas, quando a consciência começou a desenvolver-se nas criaturas do Criador, ela exercitou suas funções em vários graus na matéria mental astral, que, por sua natureza, era suscetível às influências da consciência; conseqüentemente, &#8220;o pensamento humano engendrou deuses para amar a honrar&#8221;. Essas formas, uma vez constituídas, tomaram-se canais de expressão dessas forças especializadas que as formas tinham por missão representar, concentrando-se sobre seus adoradores. Nesse sentido particular, os iniciados não apenas acreditam nos deuses, mas também os adoram.</span></p>
<p class="MsoNormal">Fonte : Dion Fortune &#8211; A CABALA MÍSTICA pg 181-183</p>
<p class="MsoNormal">Lendo isso quais outros deuses vocês teem ciência de sua atuação nos dias de hoje? e quais os Deuses vocês <span style="text-decoration: line-through">na prática</span> adoram?</p>
<p>Este é um post pioneiro.</p>]]></content:encoded>
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